| Colégios privados exploram novidadesEscolas particulares buscam acompanhar ritmo tecnológico dos alunos para não frustrar pais nem estudantes
: Filipe Pacheco
No auditório do Colégio Dante Alighieri, uma das escolas particulares mais tradicionais de São Paulo, próximo à Avenida Paulista, cerca de 60 alunos do 6º ano aguardam ansiosamente que a ligação pelo Skype seja atendida.
Cercados por câmeras de vídeo, eles se reconhecem no telão. Assim que a ligação é atendida e os personagens do outro lado aparecem, a criançada vai ao delírio, levanta os braços e se agita ao som de gritos disciplinados. Por meio de webconferência, os alunos conversaram ao vivo com cientistas brasileiros da Estação Comandante Ferraz, na Antártida.
A média de idade dos alunos era de dez anos. Ao perguntarmos quem já conhecia a ferramenta usada naquele dia - o Skype, que faz ligações pela internet gratuitas ou bem mais baratas do que uma chamada telefônica normal - a grande maioria levantou as mãos. O Dante é um colégio de classe média alta e seus alunos costumam ter acesso a computador e à banda larga em casa.
O assunto abordado durante a webconferência já havia sido dado em sala de aula, e os pequenos tinham preparado perguntas para os cientistas. 'Essa é uma aula que gera conhecimento ímpar', diz a coordenadora do departamento de tecnologia educacional, Valdenice Cerqueira. 'Já usamos o Skype como ferramenta de comunicação interna, entre os professores, mas é a primeira vez que a aplicamos de forma educacional'. Sucesso com a experiência? 'Foi maravilhosa', diz.
Esses alunos cresceram junto com a evolução e a popularização da internet. Para essa molecada, a rede é uma grande amiga e o computador é praticamente um membro da família. Ter um blog ou perfil em uma rede social é quase uma obrigação. O que fazer quando o giz e a quadro negro ou longas explicações não prendem mais a atenção em sala de aula?
O Link visitou algumas escolas particulares da Grande São Paulo para saber como elas percebem os anseios da nova geração de estudantes em relação ao uso da tecnologia na escola. O anseio por novidades e a cobrança por professores 'de cabeça aberta' é algo latente. O que deu para concluir é que, se alunos e professores buscam se entender e há um projeto pedagógico sério, os recursos tecnológicos podem ser bons aliados no aprendizado.
Mexer em computadores não é novidade para essa garotada, íntima de mouses e teclados. Mas com freqüência eles não reconhecem nos mestres tal intimidade. 'Muitos professores têm medo das novas tecnologias e de pagar mico na sala de aula', diz a professora Regina Mara da Fonseca, do Colégio Bandeirantes. 'Muitos dizem não gostar das novas possibilidades, mas na verdade têm medo. O professor não pode se importar com os erros que vier a cometer.'
A professora de geografia para o ensino fundamental e médio trouxe o GoogleEarth para dentro da sala e não se arrepende. 'O que antes eu levava três, quatro aulas para explicar, hoje sintetizo em uma', diz.
O Bandeirantes também está usando um sistema de votação bem moderno, o Classroom Performance System ou CPS, por meio do qual os alunos, cada um com seu controle remoto, respondem em segundos a questões projetadas em um telão. O professor recebe os resultados não vinculados a cada estudante individualmente, mas com porcentagens totais de acertos e erros. 'É interessante para avaliar na hora se a classe está compreendendo', diz Regina Mara.
A importância de investir em tecnologias de uso pedagógico já é sentida mesmo em colégios mais tradicionais. 'Os alunos cobram e nosso papel é o de agregar a novidade ao tradicional. Os pais também esperam que o colégio prepare seus filhos para a vida digital', diz Cleusa de Paula, professora e coordenadora do laboratório de informática do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo. Na escola, utiliza-se um sistema em que provas são feitas no computador e as notas, dadas na hora. 'Quando o professor vê o resultado final, ele se surpreende com o que o aluno produziu', diz.
GPS NA CARTOGRAFIA
Já pensou em utilizar a tecnologia GPS em aulas de geografia? A possibilidade de usar um aparelho do tipo - que fornece a localização exata do usuário a partir da combinação de sinais emitidos por três satélites em órbita ao redor da Terra - no ensino da cartografia foi o que levou o professor de geografia Fábio Lopes Brandão, do Colégio São Luís, a propor a compra de quatro desses aparelhos à direção da escola.
Os alunos da 5ª série levarão os aparelhos para uma viagem a Brotas (no interior do Estado) e anotarão a latitude, a longitude e até mesmo a altitude de alguns locais. 'É nessa época que a cartografia aparece de forma mais clara para os alunos e por isso decidimos implantar a idéia. Poderemos reconhecer as diferenças de relevo, da vegetação local e também conseguiremos coletar dados sobre as áreas onde se reconhece o desenvolvimento das cidades. São várias as possibilidades de exploração do aparelho', diz.
O aprendizado não acontece apenas fora da sala de aula: após coletar os dados, os alunos voltarão para a classe e farão uma tabulação das informações, sempre auxiliados pelo professor. 'Primeiro vem o registro. Depois, a sistematização', explica Fábio Lopes.
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